XII Colóquio Winnicott do Rio de Janeiro

Apresentação

A Dependência e os Cuidados Ambientais

Winnicott trouxe contribuições valiosíssimas para o tratamento dos distúrbios maturacionais ao colocar em destaque, em sua teoria do amadurecimento emocional, a importância do ambiente facilitador para a constituição do si-mesmo integrado. No início da vida, o indivíduo vive uma dependência absoluta do seu ambiente, que depois se torna relativa, e segue rumo a uma independência libertadora, que, entretanto, será sempre relativa, para, na velhice, voltar a depender de maneira significativa dos cuidados ambientais. Winnicott mostra que os seres humanos são dependentes de cuidadores em todas as etapas de suas vidas, com variações de modo e de grau, conforme o andamento do amadurecimento.

Neste colóquio discutiremos assuntos relacionados a esses temas gerais, abordando, em especial, dois entre muitos: as dificuldades vividas na pandemia, que muito nos fizeram pensar e repensar a clínica winnicottiana do cuidado, e as que se originam do fato de que vivemos em um mundo em que estamos pouco protegidos contra uma enxurrada de informações e avanços tecnológicos, que nos ajudam, sim, mas, em contrapartida, nos tornam dependentes deles e, não raramente, nos escravizam. Assim, refletiremos sobre essas e outras questões a partir das contribuições de Winnicott.

Silvia Boccaletti

Programação

8h45 Abertura 
9h00 MESA 1 | Mediação: Luiza Azevedo
1ª Conferência: Conceição Aparecida Serralha
Título: A continuidade ou o retorno da dependência absoluta: a necessidade de um ambiente especializado e ampliado.
9h30 2ª Conferência: Flávia de Paula Soares
Título: A Capacidade de estar só na velhice: uma clínica do holding.
10h00 Debate
10h30 Coffee-break
10h50 MESA 2 | Mediação: Fabiana Gouvêa
3ª Conferência: Rodolfo José Fenille Ferraz
Título: Pensando o legado Winnicottiano em contextos atuais.
11h20 4ª Conferência: Luiz Lessa
Título: A democracia como expressão da saúde individual e coletiva.
11h50 Debate
12h20 Abertura das comunicações
12h25 Comunicação 1
12h45 Comunicação 2
13h05 Almoço
14h05 Reabertura
14h10 MESA 3 | Mediação: Paul Gayet
5ª Conferência: Hélia Borges
Título: A plasticidade do vivo: ambiente, paradoxo, ritmo.
14h40 6ª Conferência: André Martins
Título: Da eternidade e do Amor Fati, ao isolamento pandêmico e às fake news: reflexões sobre a importância do ambiente e o fato da dependência.
15h10 Debate
15h40 Coffee-break
16h10 MESA 4 | Mediação: Marília Vilalva
7ª Conferência: Carlos Augusto Peixoto
Título: O ambientalismo de Winnicott: dependência, regressão, saúde e criatividade.
16h40 8ª Conferência: Alfredo Naffah Neto
Título: Dependência e cuidados terapêuticos de um paciente sem lugar no mundo.
17h10 Debate
17h40 Encerramento

Resumos e mini currículos

Prof. Dr. André Martins

Mini currículo:Filósofo e psicanalista, professor do NUBEA na UFRJ, membro do PPGBIOS da UFRJ/FIOCRUZ/UFF/UERJ, e do PPGF da UFRJ. Doutor em Filosofia pela Université de Nice, França, Doutor em Teoria Psicanalítica pela UFRJ, com Pós-Doutorado Sênior em Filosofia pela Université de Provence, França, foi professor visitante das universidades de Amiens e de Reims, na França, pesquisador convidado da Université de Paris | Sorbonne.

Título: Da eternidade e do Amor Fati, ao isolamento pandêmico e às fake news: reflexões sobre a importância do ambiente e o fato da dependência
Resumo: O que se busca na polarização e nas fake news? Uma adesão a quê e por quê? Sobrevivemos ao isolamento da pandemia? O que mudou e o que ficou mais claro desde então? Como não se deixar escravizar pelas mídias sociais? Em que o ambiente facilitador de Winnicott, mas também o Amor Fati de Nietzsche, e a experiência da eternidade de Spinoza, podem nos ajudar a compreender essas questões tão contemporâneas.

Prof. Dr. Alfredo Naffah Neto

Mini currículo: Alfredo Naffah Neto é psicanalista, mestre em filosofia pela USP, doutor em psicologia clínica pela PUC-SP, professor titular da PUC-SP, onde leciona e orienta dissertações e teses no Programa de Pós-Graduação em Psicologia Clínica. Também é professor e supervisor do IBPW e da IWA. Em consultório particular, pratica psicanálise, psicoterapia de casal e de família. Suas pesquisas versam, atualmente, sobre uma comparação teórico-clínica entre diferentes linhagens psicanalíticas, envolvendo autores como: Freud, Ferenczi, Klein, Bion, Lacan, Roussillon etc., tendo Winnicott como autor central. Elas compõem a segunda edição, revista e ampliada, do seu livro: Veredas Psicanalíticas – à sombra de Winnicott, Blucher, 2023.

Título: Dependência e cuidados terapêuticos de um paciente sem lugar no mundo
Resumo: A palestra apresenta o caso clínico de um paciente esquizoide, que funciona no mundo predominantemente por meio de um intelecto hipertrofiado e cindido do restante da personalidade, com quase nenhum processo de personalização. Trata-se de um rapaz que, por questões da dinâmica familiar, não foi bem acolhido no seu nascimento, permanecendo, assim, sem lugar no mundo. A palestra procura caracterizar o diagnóstico clínico do paciente, bem como evidenciar o seu nível de dependência e os cuidados terapêuticos que têm-lhe sido ministrado em análise, assim como avaliar os avanços consequentes do seu processo de amadurecimento.

Prof. Dr. Carlos Augusto Peixoto

Mini currículo: Psicanalista; Professor do Departamento de Psicologia e do Programa de Pós-graduação em Psicologia Clínica da PUC-Rio; Autor de vários artigos em revistas científicas e dos livros Metamosfoses entre o sexual e o social (Civilização Brasileira); Singularidade e subjetivação: ensaios sobre clínica e cultura (7Letras) e Michael Balint: a originalidade de uma trajetória psicanalítica (Revinter); Organizador de Formas de subjetivação (Contracapa). Doutorado em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social da UERJ.

Título: O ambientalismo de Winnicott: dependência, regressão, saúde e criatividade
Resumo: O trabalho tem como objetivo principal mostrar como o conceito de ambiente foi abordado por Winnicott ao longo do último período de sua obra. Neste contexto, são promovidas algumas articulações com questões fundamentais do seu pensamento tais como a situação de dependência, inclusive no contexto da regressão, e as relações entre cuidado ambiental, criatividade e saúde. Outros temas importantes como a mutualidade e o medo ao colapso também serão discutidos de acordo com a perspectiva ambientalista.

Profª . Drª. Conceição Aparecida Serralha

Mini currículo: Pós-Doutora em Psicologia pela Universidad Kennedy – Buenos Aires (2018) e pela UNICAMP (2018); Doutora e Mestre em Psicologia Clínica pela PUC de São Paulo (2007; 2002). Docente do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFTM. Psicanalista didata filiada à IWA. Autora dos livros “O ambiente facilitador winnicottiano: teoria e prática clínica” (2016) e “’Não atendo criança’: situações de risco para a não constituição do si mesmo individual” (2018).

Título: A continuidade ou o retorno da dependência absoluta: a necessidade de um ambiente especializado e ampliado
Resumo: Winnicott propôs um estado inicial de dependência absoluta na vida de todo ser humano. Neste estado, o indivíduo não só depende do ambiente como não sabe dessa dependência. Em condições saudáveis essa dependência é passageira e logo se relativiza rumo a uma independência possível. Nesta conferência, serão discutidas situações em que a passagem da dependência absoluta para uma dependência ou independência relativa não ocorre, e se ocorre, pode haver um retrocesso e um retorno à dependência absoluta, por falhas ambientais de todos os tipos, adoecimentos ou mesmo problemas genéticos. Nesses casos, o ambiente terá que se especializar e se ampliar para promover as condições necessárias, e isso requer, inclusive, o implemento de políticas públicas em saúde.

Profª. Drª. Flávia de Paula Soares

Mini currículo: Flávia Maria de Paula Soares, psicóloga, psicanalista e professora universitária (PUCPR). Mestre em psicologia clínica (PUC-SP, 2004) e doutora em filosofia (PUCPR, 2021). Autora do livro: “Envelhescência: o trabalho psíquico na velhice”. Editora Appris, 2020.

Título: A Capacidade de estar só na velhice: uma clínica do holding
Resumo: Este trabalho aborda a velhice como um tempo de amadurecimento pessoal em que a principal tarefa do amadurecimento é integrar a “de-integração” do self em direção à morte. Na última fase da vida adulta, a integração psicossomática do corpo envelhecido anuncia a dependência – relativa ou absoluta, a finitude (a limitação do tempo futuro) e a proximidade da morte. Algumas condições maturacionais e ambientais são necessárias para que o indivíduo consiga realizar a principal tarefa da velhice: ter cumprido o amadurecimento nas fases anteriores e a presença do suporte ambiental (holding) facilitador da tendência inata com suas especificidades na velhice. Na clínica com idosos se observa a fragilização da capacidade de estar só do velho/velha e a necessidade da presença real de alguém, em uma relação de mutualidade– aos moldes da mãe suficientemente boa–, como ambiente facilitador, para sustentar a realização da conquista da capacidade para poder morrer em uma clínica do holding.

Profª. Drª. Hélia Borges

Mini currículo: Psicanalista, membro do Grupo Brasileiro de Pesquisa Sandor Ferenczi (GBPSF); Doutora IMS/UERJ; Pós Doutora PUC/SP; Professora da Graduação e do Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Dança Angel Vianna (PPGPDAN). Livros publicados: O movimento, o corpo e a clínica; A clínica contemporânea e o abismo do sentido. Ed.7letras, 2019; Sopros da pele, murmúrios do mundo. Ed.7letras, 2019.

Título: A plasticidade do vivo: ambiente, paradoxo, ritmo
Resumo: Não por acaso o ambiente, o paradoxo e a linguagem a-semiótica atravessam os escritos winnicotianos. Seus traços marcam o percurso em que a metamorfose – que caracteriza o vivo, nos coloca visível a ideia de processo na instabilidade que constitui o território do existir. Winnicott em Natureza Humana (1990) nos aponta o valor da infância em todos nós e questiona: como entender a natureza humana se não entender esta criança que nos habita e que inventa mundo, pois a natureza é pura invenção? O autor propõe uma clínica da invenção a partir de uma disponibilidade plástica para este outro que se apresenta em seu sofrimento e impossibilidades existenciais. Não acabamos nunca de nascer, segundo o autor. O corpo do infans é anárquico, um feixe de vibrações, um corpo afetivo intenso; traz consigo uma vitalidade não orgânica, forças e potências imperceptíveis que podemos perceber em sua vivacidade. Todo um movimento para vida – o continuar-a-existir-no-tempo, ou seja, o seguir sendo – confirma a confiança na vida e o valor da vida mesmo em sua descontinuidade.

Prof. Me. Luiz Lessa

Mini currículo: Psicólogo (CRP 05/32911) e psicanalista, mestre em Saúde Coletiva (UFRJ) e doutorando em Bioética, Ética Aplicada e Saúde Coletiva (UFRJ).

Título: A democracia como expressão da saúde individual e coletiva
Resumo: Winnicott afirma no texto “Algumas considerações sobre o significado da palavra democracia” que “a sociedade democrática é uma sociedade madura”. Nesta palestra, apresentaremos a relação que Winnicott constata haver entre o papel do ambiente no desenvolvimento do indivíduo, e consequentemente de sua saúde, e a capacidade deste de se identificar com a sociedade e com ela contribuir. Para o autor, o resultado da saúde dos indivíduos é uma sociedade capaz de mediar conflitos e garantir a expressão da potência vital e criativa individual através da criação e proteção de direitos individuais e coletivos. Dito de outra forma, para Winnicott uma sociedade saudável é uma sociedade democrática. Consideramos que diante da crise pela qual os regimes democráticos passam em todo o mundo, e em especial a situação brasileira, pensar com Winnicott sobre democracia e sua origem na saúde individual pode nos ajudar a compreender a chocante demanda de indivíduos e grupos por saídas autoritárias e autocráticas para impasses sociais e frustrações pessoais.

Prof. Rodolfo José Fenille Ferraz

Mini currículo: Psicanalista com formação em filosofia, teologia e psicologia (UNISAL UE/Lorena), é membro do Instituto Brasileiro de Psicanálise Winnicottiana e da lnternational Winnicott Association.

Título:Pensando o legado Winnicottiano em contextos atuais
Resumo: Partindo da ideia de um legado Winnicottiano para as novas gerações de estudiosos da “natureza humana”, faz-se necessário particularizar as experiências ambientais e seus desdobramentos em contextos atuais, para que a psicanálise possua cidadania no futuro próximo, onde as realidades inviabilizadas, lutam para se fazer reconhecer.

Inscrição

INSCRIÇÕES ENCERRADAS

*Haverá certificado de participação para todos os inscritos.

*O evento será ministrado inteiramente online e a gravação ficará disponível por 30 dias.

VALORES
Filiados IBPW: R$ 100,00
Estudantes: R$ 132,00
Profissionais: R$ 165,00

Preencha o formulário abaixo, com o seu nome completo, para se inscrever.

O Instituto Brasileiro de Psicanálise Winnicottiana, não se responsabiliza por eventuais problemas ou dificuldades técnicas do inscrito no momento da transmissão online.

Política de cancelamento de inscrição em eventos
1. O prazo máximo para cancelamento de participação é de até 07 (sete) dias de antecedência do evento.
2. A inscrição no evento somente será cancelada mediante envio de comunicação para o e-mail: admin@ibpw.org.br
3. Serão devolvidos 80% (oitenta por cento) do valor pago, até o último dia útil subsequente ao mês de realização do evento.
4. A inscrição é PESSOAL e INTRANSFERÍVEL.
5. Em caso de não comparecimento no dia do evento o valor investido na inscrição não será reembolsado, não será gerado crédito para outros eventos e não dará direito ao envio de materiais que possam vir a ser entregues no curso.

Comunicação

Envie o seu trabalho para o email: comunicacao@ibpw.org.br 

CRONOGRAMA:
Até 12/08/23 – envio dos trabalhos
Até 19/08/23 – divulgação da lista de trabalhos aceitos
Até 23/08/23 – data limite para a inscrição no evento dos participantes com trabalhos selecionados, caso ainda não estejam inscritos

REGRAS DE APRESENTAÇÃO

  1. Aceitaremos comunicações sobre Winnicott, de preferência sobre o tema do Colóquiomas não exclusivamente.
  2. Para submeter as comunicações, não será necessário fazer previamente a inscrição no Colóquio. Todos que tiverem seus trabalhos aprovados terão, no entanto, que efetuar suas inscrições para confirmar a participação até o dia 23/08/2023. A lista dos trabalhos selecionados será divulgada até 19/08/2023neste site.
  3. Após o aceite do trabalho, não será permitida a troca do apresentador.
  4. Os outros autores, que desejarem estar presente à apresentação do trabalho, deverão estar devidamente inscritos no Congresso.
  5. A apresentação acontecerá em mesa redonda, composta por dois trabalhos, com 20 minutos para a apresentação. A distribuição nas mesas estará a critério da comissão organizadora do congresso.
  6. As comunicações serão feitas às às 12:25
  7. Somente receberão certificados os autores inscritos no Colóquio, mesmo que o trabalho tenha mais de um autor.

 

ESPECIFICAÇÕES PARA O ENVIO DO TRABALHO

  1. minicurrículo de até 10 linhas.
  2. resumo para avaliação de 200-500 palavras; documento Word 97 ou superior; formato: Times New Roman 12; entrelinha: 1,5. O argumento deve apresentar o problema central que motivou o estudo, as questões levantadas e reflexão teórica para responder ou discutir as questões apresentadas.
  3. resumo para Caderno de Resumos(caso o trabalho seja aceito): máximo de 100 palavras, seguindo as mesmas especificações.

Havendo interesse, as comunicações aceitas e apresentadas no Colóquio poderão ser submetidas para publicação à revista Natureza Humana até 30 dias após o evento. Para essa submissão, os interessados devem acessar https://revistas.dwwe.com.br/index.php/NH/about/submissions e seguir as instruções nele contidas.

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